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ESTADO PROÍBE BICICLETA EM PONTE ESTAIADA NO AMAZONAS

Desde que a ponte estaiada que liga Manaus a Iranduba foi inaugurada sobre o rio Negro, em outubro, quem costumava se deslocar entre os dois municípios amazônicos de bicicleta tem de atravessar a pé os 3,5 km do percurso, ora sob sol de 40ºC, ora sob chuva torrencial.

Isso porque o governo do Amazonas proibiu o meio de transporte mais popular entre os ribeirinhos na ponte, alegando falta de segurança.

Antes da ponte, os moradores faziam o trajeto gratuitamente em balsas, com suas bicicletas, mas as embarcações foram desativadas.

O governo diz que o trânsito de bicicletas está proibido em razão do fluxo intenso de veículos e da alta velocidade na pista de rolamento.

Para os pedestres, os engenheiros da obra destinaram corredores de 1,5 m de largura nas laterais da ponte, protegidos por grades de ferro. Para quem pode pagar, a alternativa é fazer o percurso em canoas motorizadas ou ônibus, em viagens de mais de uma hora.

A produtora rural Edilza Loureiro, 45, gasta mais de cinco horas para chegar em casa. Ela mora em uma comunidade no Cacau Pirêra, Iranduba. “Agora ficou mais difícil porque não tenho dinheiro para pagar o ônibus e não posso usar a bicicleta”.

O agricultor Manoel de Oliveira, 36, tentou usar a bicicleta na travessia, mas foi barrado pelos fiscais. “Agora eu caminho muito. Um dia fiz essa viagem cinco vezes.”

A proibição da bicicleta desagradou os cicloativistas. “Os engenheiros da ponte não observaram o que o mundo vê: a bicicleta como alternativa de transporte e melhoria da qualidade de vida”, disse Erildo Pinheiro, 43, do movimento Amigos do Pedal.

Com custo de R$ 1,099 bilhão, a ponte Rio Negro foi inaugurada no dia 24 de outubro pela presidente Dilma Rousseff. Na ocasião, ela disse em discurso que com a ponte “é possível fazer com que se gerem empregos, se distribua renda e, ao mesmo tempo, se preserve o meio ambiente”.

Fonte: folhapress

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